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A maldição da “moeda digital”

Quando usamos o termo “moeda digital”, muitas pessoas supõem que estamos falando de critpmoedas, mas conquanto as criptos sejam digitais, elas não são as únicas.

Aquele “dinheiro” que as pessoas, empresas e governos transacionam e que, representa tão somente números em bancos de dados digitais, é um “dinheiro digital”‘. Em grande medida, o dinheiro fiduciário já é em grande medida digital.

digital money

Inclusive, a digitalização do dinheiro, segundo alguns estudiosos, é uma das principais razões (senão a principal) da enorme crise financeira de 2008, que quase destruiu os fundamentos da economia global e contextualizou o surgimento do Bitcoin (falaremos dele mais tarde).

No livro “O Fim dos bancos”, os autores dizem que

“com o advento dos computadores e das redes de comunicação eletrônica, o crédito se desvinculou do balanço patrimonial dos bancos, gerando consequências extensas e profundas para a eficácia da regulação bancária.

Daí resultaram novas formas de atividades bancárias, e os bancos organizaram suas atividades de modo a contornar a regulação para não mais se submeter às suas exigências.

Tais ações são chamadas de shadow banking e tornaram-se mais importantes do que as atividades bancárias tradicionais. […] a incapacidade dos reguladores de superar o problema resultou em um pânico bancário: a crise de 2007/8.

O problema foi amplo e profundo, e exigiu ação decisiva do governo. Somente operações de resgate em escala inédita evitaram o colapso total do sistema financeiro. Esse curso de ação, porém, envolveu altos custos.

[…] Na era digital, as atividades bancárias se tornaram incontroláveis. As garantias governamentais são cada vez mais amplas, mas a regulação perdeu a eficácia. O sistema bancário se converteu em uma parceria público-privada disfuncional. As instituições bancárias geram lucros desmesurados ao assumir riscos excessivos nos bons tempos, enquanto o governo assume as perdas nos tempos ruins”.

A citação acima não lida com os aspectos técnicos da “moeda digital” por detrás de todo esse cenário catastrófico, mas as características dessa moeda são bem conhecidas. Reúna em um só pacote, as políticas monetárias geridas de forma centralizada com as possibilidades da era digital e está estabelecido o caos. Essa é a maldição da moeda digital.

crash 2008
Tirinha sobre a crise de 2008. A legenda diz: “Pensei que estávamos apenas comprando uma casa”

Agora se torna mais fácil entender a importância crucial de algo como o Bitcoin num contexto como esse.

O Bitcoin reúne as possibilidades digitais sem os desmandos da autoridade central que, em resumo, burla qualquer regulação e assume riscos com o dinheiro dos outros (do governo, ou seja, de todos), tudo num contexto de políticas inflacionárias e fundamentadas em dívida.

O sistema financeiro atual caminha na direção do caos e essa não é uma afirmação alarmista, mas uma mera identificação do curso natural de sua “lógica e atuação prática”.

O Bitcoin é uma promessa de alternativa a esse sistema e a esse destino, uma promessa audaciosa, ainda jovem e com muitos desafios de amplas proporções pela frente. Mas nesse ponto da história ele encabeça a revolução que unicamente nos dá horizonte de construirmos algo diferente daquilo que inevitavelmente virá ao paradigma atual.