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As três questões mais importantes quando o assunto é dinheiro: autenticidade, transação e posse

educação financeira

Há uma série de questões que surgem (ou devem surgir) quando as pessoas conversam sobre dinheiro. É num diálogo informal com um cidadão médio, porém, que percebemos o quão pouco as pessoas “comuns” pensam profundamente sobre como funciona o sistema que controla e mais afeta sua vida como um todo.

Na tarefa de prover educação econômica/financeira básica, a New Cash oferece aos seus leitores algumas perspectivas e insights a respeito do tema a fim de beneficiar aqueles que vierem a consumir o conteúdo produzido e disponibilidade em nossos canais de comunicação.

Hoje iremos falar sobre as três questões mais importantes em sentido básico quando falamos desse assunto tão importante quanto “misterioso” para alguns.

A primeira pergunta que se deve fazer a respeito do dinheiro é teórico e técnico quando vamos falar de uma moeda qualquer é: “estamos diante de dinheiro de verdade”?

dinheiro de verdade

Em termos teóricos, pode ser revelador para alguns aquilo que é óbvio para outros: nada tem valor intrínseco em si mesmo, em sentido absoluto, como uma espécie de “dinheiro natural”. É verdade que na história humana foram criadas e usadas quase que infinitas formas diferentes de moeda, umas piores ou melhores que as outras para dar conta dos fenômenos de um mercado mais ou menos amplo, mas não há na natureza algo que seja “dinheiro”. Portanto, estamos diante de um fenômeno psicológico e social, construído psicológica e socialmente.

Mas sem nos deter na história e nas definições de “dinheiro”‘, a primeira pergunta que se faz diante de uma moeda é se perguntar se estamos diante de dinheiro de verdade, aquele possível de ser usado pelas pessoas como tal.

Os emissores de papel moeda desenvolveram técnicas muito sofisticadas de impressão e marcas em papel de forma a “garantir sua veracidade”, ou pelo menos dificultar o trabalho dos fraudadores. Convenções de padrão e segurança são definitas por autoridades centrais e fiscalizadas por entidades que confiam nas regras estabelecidas por essas autoridades.

Uma das questões sobre o Bitcoin e as criptomoedas é se estamos diante de “dinheiro de verdade” ao lidarmos com essas moedas. A resposta a essa pergunta em sentido amplo e cabal demandaria mais considerações do que aquelas presentes em um texto despretensioso, mas em resumo podemos afirmar que em ampla medida é possível usar criptomoedas para fazer tudo o que o “dinheiro” faz, e em muitos pormenores de forma muito melhor.

btc

A segurança da autenticidade de uma moeda específica, porém, não reside em convenções definidas de forma centralizada e fiscalizadas por empresas fechadas. As criptomoedas usam amplos avanços na área da criptografia para realizar todo esse processo de forma consensual em uma rede descentralizada e de forma pública, para que qualquer pessoa/entidade possa verificar a autenticidade de uma criptomoeda.

Há fraudes no “dinheiro” fiduciário, como há fraude em criptomoedas, da mesma forma é possível estabelecer a legitimidade de uma moeda fiduciária como é possível fazê-lo com o Bitcoin. A diferença está no paradigma centralizado do dinheiro fiduciário versus a natureza descentralizada do Bitcoin.

A segunda dúvida fundamental sobre todo o sistema tem que ver com a legitimidade das transações entre as pessoas usando uma moeda qualquer. Em termos de papel moeda, os problemas presentes no ambiente digital desaparecem em função da natureza física da moeda que não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, de forma que é absurdo pensar no problema do “gasto duplo”, que é (ou era) tão complexo de ser resolvido no ambiente digital.

Por exemplo, a transferência de “dinheiro” por meios eletrônicos através dos bancos no sistema financeiro atual é “supervisionado e garantido” por autoridades centrais que verificam e validam transações, tendo poder inclusive de poder reverter transações consideradas “suspeitas” por alguma convenção previamente definida (agora imagine o leitor se essa brecha no sistema é fonte de fraude da parte de pessoas mal intencionadas que tentem usar essas convenções maliciosamente). Nesse paradigma, a autoridade central “garante” a segurança (ou insegurança) das transações.

transação negada
Transação negada

No Bitcoin não há autoridade central para supervisionar e/ou validar transações. Todo esse processo é feito, mas de forma descentralizada, e todas as convenções foram decididas por código de computador e aceitas por consenso por todos os participantes da rede. Se os parâmetros de uma transação estiverem em harmonia com os parâmetros do código, não há autoridade no mundo capaz de reverter a transação. Nesse ponto, as transações com o Bitcoin são muito mais seguras do que as transações que podem ser revertidas ou mesmo impedidas por autoridades centrais que pode agir (e frequentemente agem) de forma arbitrária.

O terceiro ponto é a respeito da posse do dinheiro. O sistema financeiro atual, centralizado nos governos e nos bancos, dá acesso ao cidadão comum ao dinheiro, mas em inúmeros casos reais ou potenciais fica provado que o dinheiro, na verdade, não é posse absoluta do seu pretenso possuidor. Vejam os “confiscos” do passado e sua sombra constante sobre o presente e o futuro.

confisco
Confisco

No sistema do Bitcoin, a posse do “dinheiro” é de quem comprova a posse das chaves de um endereço público no qual está atrelado um saldo. De posse dessa informação criptografada, o usuário pode ter certeza de que a posse do dinheiro é sua de mais ninguém. Naturalmente, isso implica em procedimentos seguros de custódia por parte do possuidor dos fundos, mas isso só prova que a posse é realmente da pessoa que detém a chave privada para aquele ativo.

Por essas três questões, percebemos que o Bitcoin é uma forma legítima de dinheiro ainda que problemas de adoção em massa e escalabilidade ainda precisam ser resolvidos para que o sistema todo seja viável para substituir completamente o paradigma atual. O desenvolvimento desse espaço está bastante avançado e é bastante promissor, apesar dos obstáculos que ele terá de enfrentar para ser, de fato, o dinheiro do futuro.