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Bitcoin: uma coleção de conceitos e tecnologias

Quando a maioria das pessoas ouvem falar do Bitcoin, geralmente elas imaginam que o termo se refira a uma tecnologia. Mas talvez não seja exatamente assim.

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Respondendo à pergunta “O que é o Bitcoin”, Andreas Antonopolous, um dos maiores palestrantes e escritores no mundo a respeito desse tema, diz que estamos falando de “uma coleção de conceitos e tecnologias que formam a base de um ecossistema de dinheiro digital”.

A pluralidade de conceitos e tecnologias terminam formando um todo conceitual e tecnológico, sim, mas suas partes precisam ser percebidas e afirmadas como plurais para se entender algumas facetas importantes dessa revolução, especialmente a questão da descentralização, justificarei essa afirmação adiante.

A conclusão do autor é que

“o Bitcoin é a culminação de décadas de pesquisa em criptografia e sistemas distribuídos e inclui quatro inovações chave, reunidas para formar uma combinação poderosa. O Bitcoin consiste em:

Uma rede p2p descentralizada (o protocolo do bitcoin)

Uma planilha pública de transações (a blockchain)

Uma série de regras para a validação independente de transações e emissão de moeda (regras de consenso)

Um mecanismo para se atingir consenso global descentralizado sobre a blockchain válida (algoritmo de prova-de-trabalho)”.

Uma pessoa capaz de entender esse quadro é uma pessoa capaz de entender o Bitcoin e as principais razões por detrás da sua filosofia.

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Na retórica do Bitcoin, há uma promessa de que a descentralização é uma saída para a incompetência ou para a malícia das instituições centralizadores do poder quando o assunto é emissão de moeda ou transações financeiras. Também, há uma enorme quantidade de intermediários que tornam o sistema mais lento e mais caro.

O Bitcoin contém a promessa de resolver ou atenuar esses graves problemas de amplas implicações, tudo através de um sistema digital, distribuído, gerado e gerido por código de computador, mas muitas pessoas têm dúvidas sobre a forma como isso tudo pode ser possível. Os responsáveis por esse novo sistema não vão se tornar os novos agentes da centralização e da corrupção diante do poder de emitir dinheiro e gerenciar transações?

Uma das formas de entender como esses problemas são minimizados é entender a pluralidade de conceitos e tecnologias envolvidas no Bitcoin e o fato de que ninguém consegue controlar todas as partes do sistema de forma sozinho.

Uma rede p2p descentralizada não possui intermediários para regulamentar a relação entre as partes, de forma que há ampla liberdade de atuação sem censura da parte de ninguém.

Por outro lado, uma planilha pública dá ao sistema um nível de transparência e uma capacidade de auditoria independente que é um enorme incentivo ao comportamento honesto.

As “regras de consenso” foram estabelecidas no início do projeto e cada um é livre para aderir a tais regras ou não (participando ou deixando de participar do sistema). Além disso, essas regras podem, em tese, mudar, desde que um proponente de mudança consiga demonstrar à rede a necessidade da mudança.

O algoritmo de “prove-de-trabalho” é o elemento mais complexo de todo o sistema, representando provavelmente a verdadeira mágica dessa inovação. Há ampla competição nessa esfera e necessidade de investimentos em equipamentos e em segurança a fim de tornar todo o sistema valioso, como de fato ele é.

Nenhuma pessoa ou grupo de pessoas tem capacidade de tomar esse sistema como refém, nem mesmo seu criador, ou seus desenvolvedores ou ninguém. Essa junção de conceitos e tecnologias possibilita a existência de uma rede verdadeiramente descentralizada, superando assim problemas históricos associados ao paradigma atual.