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Conflitos sobre a governança da Internet e as Criptomoedas

Há uma ampla quantidade de pessoas que não toma tempo para refletir sobre que tipo de “luta” existe nos bastidores da internet. Bilhões de pessoas estão conctadas à rede mundial de computadores, mas arrisco-me a dizer que a imensa maioria delas nunca parou para pensar numa questão tão simples quanto essencial.

Quem governa a Internet?

Seriam as empresas de telecomunicação? As agências governamentais americanas como CIA e FBI? Os governos dos diferentes países do mundo? Nerds? Hackers? Ativistas? Pornógrafos? Tiazinhas grudadas no Whatsapp o dia todo (hoje em dia há quem garanta que esse público está no absoluto controle de eleições majoritárias num país continental como o Brasil [e há quem acredite nisso, viu?]).

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Laura DeNardis, em seu livro “The global war for internet governance”, p. 16, noz diz que

“Algumas das mais intrincadas questões sobre a governança da internet envolvem conflitos entre valores globais em competição entre si: liberdade de expressão versus imposição de leis para limitar essa liberdade; acesso ao conhecimento versus a imposição de direitos de propriedade intelectual; liberdade da mídia versus a necessidade de segurança nacional; privacidade individual versus modelos de negócios online baseados em coleta de dados sobre os usuários; regimes autoritários buscando controle absoluto sobre a informação versus valores democráticos de abertura e liberdade da informação”. (Tradução Livre)

Aspectos técnicos/científicos, legais, filosóficos e políticos se mesclam a todas essas discussões quando falamos em internet. Há às vezes um precário equilibrio entre diversos atores dessa esfera da sociedade e há muita discordância e embate com interesses diversos contextualizando cada questão.

O Papel das Criptomoedas

As moedas digitais descentralizadas nascem no ambiente dessa ampla discussão e tomam partido ao lado daqueles que prezam por uma rede livre que não represente barreira de entrada para qualquer pessoa, que promova o conhecimento, a publicidade, a transparência, a descentralização e desintermidiação; bem como o consenso entre os participantes de uma rede.

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Mas o maior poder das criptos nesse contexto mis amplo não é que elas representem pessoas e entidades que se posicionem nessas questões, mas que elas tenham uma natureza tal que as permite financeiar a “cultura da blockchain” a partir da capacidade de gerar e gerir um novo sistema financeiro nativo da própria rede. Esse potencial é extraordinário e estamos vendo apenas as primeira aplicações e implicações dessa capacidade no mundo hoje.

Não existe um governo ou um grande veículo de mídia diante do qual o fenômeno das criptomoedas tenha passado desapercebido. Todos em todos os lugares estão estudando, buscando entender e pensando em meio de reagir a esse fenômeno diante da ameaça que ele representa para os poderosos intermediários que cobram suas caríssimas taxas sobre praticamente todas as esferas do que tem valor no mundo hoje.

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As moedas digitais descentralizadas são o fruto do que há de mais positivo no espírito por detrás da internet e a perspectiva é que elas consigam influenciar modelos de negócio e de governança que venham a inspirar empresas e governos a se organizarem de forma diferente no futuro. Tudo isso, porém, só será realidade como fruto de uma série de “conflitos” com o modelo atual de negócios e governos.

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