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DLT’s e o melhor dos dois mundos: mais uma bola fora de James Rickards

Em um livro traduzido e publicado pela empiricus no Brasil, James Rickards expõe uma grande quantidade de críticas ao Bitcoin como moeda e como reserva de valor e aposta na derrocada total da invenção de Satoshi Nakamoto.

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Há muitas coisas em suas opiniões que merecem alguma consideração, mas o foco desse texto será em apenas um aspecto, aquele que lida com a tecnologia das DLT’s (Distributed Ledger Technologies) em comparação com criptomoedas como o Bitcoin.

Em apertada síntese, uma DLT é uma blockchain “permissionada” e não “livre” como a tecnologia por detrás do Bitcoin e das outras criptomoedas (pelo menos, da imensa maioria delas em geral).

Ao explicar sua posição, Rickards diz que as DLT’s unem “o melhor dos dois mundos”, mas que mundos são esses? O mundo das blockchains e o mundo das empresas grandes e “confiáveis” nas quais James aparentemente confia bastante.

Em uma frase aparentemente despretensiosa, o autor diz que em uma blockchain permissionada, “o sistema  só é aberto para pessoas aprovadas”. Adiante, a conclusão é que “o ecossitema DLT ainda é distribuído, rápido e barato, MAS NEM TODOS PODEM UTILIZÁ-LO” (Cripto Wars: a guerra por detrás das criptomoedas, p. 93, grifo nosso).

A ideia por detrás do que James Rickards defende implica que a natureza aberta, descentralizada e resistente à censura das criptomoedas é uma características de menor importância, podendo ser trocadas por algo maior e melhor, o retorno ao controle central da parte de grandes empresas/corporações (bancos e governos também, suponho).

Esse tipo de afirmação não é simplesmente equivocada, mas é perversa.

O melhor do mundo das criptomoedas não tem que ver simplesmente com a tecnologia inovadora e disruptiva, mas com a natureza do sistema que essa tecnologia é capaz de criar em termos de incentivos e de barreiras à tirania e aos abusos dos poderes centralizados em geral. E nesses quesitos, DLT’s não nos ajudam em nada.

Se alguém eliminar das criptomoedas esses elementos, só o que restará é um banco de dados distribuído onde qualquer informação/transação pode ser mudada e/ou controlada de forma arbitrária e para infinitos propósitos escusos. Nada muito diferente do sistema bancário e governamental da atualidade em todos os lugares do globo terrestre!

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As moedas digitais descentralizadas foram criadas para mudar essa realidade e não devemos admitir como avanço qualquer tentativa de esvaziar essa tecnologia de seu real propósito. DLT’s não são blockchain, de verdade. Pelo menos não na acepção de origem do termo que nasceu com o Bitcoin a fim de ser livre de qualquer associação com as ineficiências e injustiças de um sistema controlado de forma central.

Shame on you, James Rickards!

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