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Você entede o risco em depositar dinheiro no banco?

Quando falamos sobre criptomoedas com as pessoas que ainda não conhecem ou não confiam nessa tecnologia, elas elencam o risco de perder dinheiro como a principal razão de sua postura reticente em relação às moedas digitais descentralizadas.

Não devemos desprezar essa percepção ou considerá-la irrelevante de nenhuma maneira, uma vez que ninguém em sã consciência deseja perder seu dinheiro arduamente conquistado.

O que a maioria das pessoas não entende, entretanto, é que todo o sistema financeiro e bancário atual envolve os mesmos riscos (e outros mais) contidos no universo das criptomoedas, mas em formas e por motivos diferentes.

Em seu livro, “O fim dos Bancos: moeda, crédito e revolução digital”, p. 55, Jonathan Mcmillan diz que as políticas dos bancos centrais tem por objetivo, dentre outras coisas, “combater o medo dos depositantes de perder dinheiro”. Isso, por sua vez tem consequências, descritas resumidamente da seguinda forma:

Aliviar os depositantes do medo altera seu comportamento. A maioria de nós é depositante; portanto, você talvez indague de que mudança estamos falando. […] Embora as pessoas que viveram na primeira metade do século XX estivesse bem conscientes de que os depósitos bancários envolvem riscos, as gerações posteriores cresceram acreditando que eles são absolutamente seguros. Aqui é preciso distinguir entre tempos normais e tempos de crise. Os depósitos têm sido percebidos como bastante seguros durante tempos normais. Hoje, contudo, não temos cosnciência do risco nos tempos de crise, por causa do seguro de depósito e da atuação dos bancos centrais.

Em resumo. No passado, as pessoas tinham cosnciência de que depositar dinheiro no banco envolvia o risco de perder o dinheiro depositado. Hoje essa percepção mudou uma vez que os seguros e a atuação dos bancos centrais minimizam em certo sentido esse risco e isso resolve o “problema” na mentalidade de algumas pessoas. Mas vamos pensar melhor.

Como tais mecanismos asseguram os depósitos dos correntistas? Garantindo que haverá resgates e impressão de dinheiro em caso dos bancos por incompetência ou fraude comprometerem os depósitos das pessoas. Olhando por esse ângulo, a situação não é tão simples quanto parece uma vez que esse sistema cria uma classe de gente disposta a arriscar alto e de forma irresponsável (os bancos) e gente disposta a consertar os erros das primeiras pessoas imprimindo dinheiro e prejudicando toda a sociedades para tanto (o banco central). Tudo “regulamentado” sob a bênção dos governos que deveriam representar o interesse público, mas geralmente comprados pelo poder econômico privado.

O quadro aqui descrito de forma simplória é uma das razões da falência do sistema atual e criam o contexto do surgimento, desenvolvimento e uso das criptomoedas, cuja natureza essencial busca evitar a confiança nos bancos (sejam eles centrais ou não) e nos governos de uma forma geral para criar e gerir o sistema financeiro (o dinheiro).

O risco que o sistema atual representa é muito maior do que as pessoas pensam e a capacidade dos gestores desse sistema em confiscar o dinheiro ou desvalorizar o dinheiro em benefício deles mesmos e em detrimento dos demais é quase absoluto e não há vontade política ou jurídica de contrabalancear esse abuso de poder da parte de tais gestores.

A única forma de combater isso é tirar o dinheiro das mãos dessas entidades e colocar na mão das pessoas de forma que não seja fácil confiscar ou manipular o dinheiro a depender dos interesses de uma minoria dominante e poderosa em termos políticos e econômicos.

As criptomoedas não são perfeitas e envolvem riscos, sim. Mas o sistema finaneiro atual pode ser infinitamente pior.

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